AVC no Ceará: atendimento especializado que faz a diferença

20 de Maio de 2010

Era madrugada do dia 13 de maio, quando seu Francisco de Assis acordou se sentindo estranho. No caminho para o banheiro, ele sentiu que um lado do corpo estava paralisado. Foi quando o filho percebeu que seu Assis também não conseguia falar. A voz embolada foi o sinal que levantou logo a suspeita: seu Assis estaria sofrendo um Acidente Vascular Cerebral, AVC, também conhecido como trombose. O primeiro socorro foi feito em um hospital particular de Fortaleza, mas por conta do alto custo de internação, ele precisou ser transferido para uma unidade de saúde do SUS. No HGF, ele passou pelo acolhimento, quando a equipe imediatamente o encaminhou para a Unidade de AVC. Em menos de 40 minutos, seu Assis foi avaliado pelo médico plantonista, fez exames radiológicos e laboratoriais e já estava recebendo o tratamento indicado para o caso. A rapidez no atendimento foi fundamental para que ele não ficasse com sequelas do AVC. Sete dias após a internação, seu Assis está feliz e aliviado. Já fala normalmente, anda pela unidade, recuperou todos os movimentos. Sobre o atendimento que recebeu, ele comenta: “aqui eu só vi foi todo mundo correndo pra me salvar”. E se antes seu Assis não dispensava uma cachacinha e uma boa panelada, hoje ele sabe que vai ter que mudar os hábitos. “Vai ser difícil, mas a saúde vem primeiramente. Sem saúde a gente não vale nada”, conclui.

 

Seu Assis é apenas um dos cerca de vinte mil novos casos de AVC registrados todos os anos no Ceará. Diferente dos 6 mil que morrem e outros 6 mil que ficam severamente incapacitados, seu Assis deve voltar pra casa sem sequelas. Isso só foi possível graças à eficiência dos profissionais da Unidade de AVC do HGF, inaugurada em outubro do ano passado. “Um marco para a saúde pública.” É assim que o médico neurologista, membro do Departamento de Doenças Cerebrovasculares da Academia Brasileira de Neurologia, define a abertura da Unidade de AVC do HGF, idealizada por ele mesmo. A unidade é a maior do país e já atendeu cerca de 400 pacientes. A unidade conta com 20 leitos, neurologistas de plantão 24 horas, além de aparato tecnológico para diagnósticos que compõem estrutura jamais vista em hospitais – públicos ou privados – de todo o Brasil. Para completar a estrutura de assistência à patologia, outros 66 leitos para atendimento de AVC são disponibilizados em ala específica do Hospital Waldemar de Alcântara. Ele afirma que “a inauguração da unidade foi sem dúvida a mais contundente ação pública para combater o AVC no Estado”.

 

Atualmente, a unidade atende a cerca de 90 pacientes por mês, mas este número pode chegar a 150 se houver uma rede secundária pronta para receber os pacientes já estabilizados. A unidade de AVC faz parte de uma série de medidas determinadas pelo Programa de Atenção Integral e Integrada às Doenças Cerebrovasculares da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará – única unidade federativa com política governamental destinada à prevenção e tratamento do acidente vascular cerebral. De acordo com o Dr. Carvalho, a unidade tem proporcionado a “desfragmentação do atendimento, o que pode diminuir em até 30% a mortalidade e em até 50% a incapacitação proveniente do AVC”.

 

Esses e outros dados sobre o AVC no Ceará estão em debate durante o IV Congresso Cearense de Neurologia, que acontece de 20 a 22 de maio, no Hotel Vila Galé, em Fortaleza, realização da Sociedade Cearense de Neurologia e Neurocirurgia, SOCENNE. O objetivo é divulgar os conhecimentos mais atuais na área de neurociências para todas as categorias de profissionais da saúde.

 

Neste primeiro dia de Congresso, serão realizados cursos rápidos de até 8 horas, destinados aos profissionais de saúde da atenção primária, abordando temas como “Fazendo Diagnósticos Diferenciais”, “Abordando o paciente”, “Transtornos do Sono”, “Neuroimagem” e “Neuroendocrinologia”. A idéia é capacitar os profissionais da capital e interior do estado para que possam fazer diagnósticos seguros, possibilitando o tratamento, muitas vezes, no próprio município de origem.

 

Já a programação científica contará com a participação de palestrantes nacionais e vai debater através de mesas redondas temas como “Tratamento preventivo das cefaléias primárias”, “Diagnóstico de Morte Encefálica – aspectos éticos e jurídicos”, “AVC- a fase pós alta: as sequelas cognitivas e seu impacto na hora de voltar para a vida”, “Doenças desmielinizantes”, “Tratamento cirúrgico na Epilepsia” e “Doença de Parkinson – diagnóstico diferencial e tratamento”.

 

O evento é uma promoção da Sociedade Cearense de Neurologia e Neurocirurgia, SOCENNE, e tem o apoio institucional da Associação Médica Cearense, com apoio da Liga de Neurociências, NEURUECE. Inscrições e informações no site www.socenne.com.br, pelo telefone (85)9998-6407 ou pelo email socenne@ gmail.com.

 

Serviço:

Mesa Redonda – AVC: atualização diagnóstica e terapêutica

IV Congresso Cearense de Neurologia e Neurocirurgia

Hotel Vila Galé

Dia 22 de maio de 2010

Horário: 8 horas às 9h45min

 

Assessoria de Imprensa do HGF

Gilda Barroso (gildabarroso@gmail.com/ 3101.7086)