Seminário discute agrotóxicos na saúde e meio ambiente e divulga pesquisas

9 de setembro de 2010

O uso de agrotóxicos e os efeitos na saúde e no meio ambiente são assuntos que estarão na mesa de debates do Seminário Estadual de Agrotóxicos, que a Secretaria da Saúde do Estado realiza nesta sexta-feira, 10, das 8h30min às 17h, no hotel Mareiro, Avenida Beira Mar, 2380.  Numa ação intersetorial, envolvendo, além da Sesa, a Secretaria de Desenvolvimento Agrário, o Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o objetivo é a promoção da saúde do ambiente e dos trabalhadores nas atividades de produção agrícola e também dos consumidores. Serão divulgadas, durante o seminário, pesquisas sobre a utilização de agrotóxicos. Participarão representantes dos municípios, Coordenadorias Regionais de Saúde, sindicatos de trabalhadores rurais, de Organizações. Governamentais e profissionais de saúde. No encerramento do seminário haverá a divulgação de uma carta de compromisso em defesa da terra, da saúde e da vida.
Agrotóxicos são produtos químicos usados na lavoura, na pecuária e mesmo no ambiente doméstico. O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Somente no ano passado, foram vendidas 725,6 mil toneladas dessas substâncias no país, movimentando US$ 6,62 bilhões, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag). No Ceará, o Planalto da Ibiapaba e o Vale do Jaguaribe têm sido os focos mais visíveis do elevado consumo de agrotóxicos, utilizados nos alimentos produzidos nessas duas regiões. De acordo com o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), foram registrados no Ceará, em 2008, 297 casos de intoxicação por agrotóxicos de uso agrícola e doméstico, com 14 óbitos.
Desde 2009, em parceria com o Ministério da Saúde, são realizadas análises sistemáticas de amostra de alimentos comercializados nos supermercados da Grande Fortaleza. No ano passado foi constatado que somente três produtos – manga, banana e laranja – apresentaram índices adequados da presença de agrotóxico para consumo humano. Das 135 amostras de alimentos analisadas pela Vigilância Sanitária, de várias culturas provenientes do interior do Ceará, 40 apresentaram índices insatisfatórios quanto ao índice mínimo de agrotóxicos. O campeão de toxicidade quando da realização das análises foi o pimentão. Os resultados do PARA comprovam a utilização ilegal de agrotóxicos em culturas onde geralmente ocorrem índices elevados de exposição de pequenos e médios produtores a esses agrotóxicos.
Em dezembro de 2009, realizou-se a 1ª Conferência Nacional de Saúde Ambiental, organizada em conjunto pelos ministérios da Saúde, do Meio Ambiente e das Cidades. Os delegados aprovaram propostas que tratam dos agrotóxicos: implementar a produção e o consumo agroecológico, eliminando o uso de agrotóxicos; atuar sobre os riscos relacionados aos processos de trabalho, tal como a exposição a essas substâncias; exigir receituário específico para minimizar e controlar sua aquisição e sua aplicação.
Segundo a OMS, 3% dos trabalhadores expostos a agrotóxicos sofrem algum tipo de intoxicação. Estima-se que, anualmente, ocorram cerca de 3 milhões de casos agudos no mundo, mais de 700 mil casos de efeitos adversos, como distúrbios neurológicos, além de cerca de 80 mil casos de câncer e 220 mil mortes.
PROGRAMAÇÃO DO SEMINÁRIO
8h Inscrição
8h30min Abertura 
Raimundo José Arruda Bastos
Secretário Estadual da Saúde

Manoel Dias da Fonsêca Neto
Coordenador de Promoção e Proteção à Saúde da Secretaria da Saúde do Estado

Maria Goretti Gurgel Mota de Castro
Secretária Executiva do Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente – Conpam

Antônio Rodrigues Amorim
Secretário do Desenvolvimento Agrário do Estado

Neilton Araújo de Oliveira
Diretor adjunto da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa

Carlos Augusto Vaz de Sousa
Coordenador de Saúde do Trabalhador/SVS/MS

9h Painel “Agrotóxicos: regulação e proteção à saúde humana e ambiental”
– Vigilância em saúde de populações expostas a agrotóxicos
Carlos Augusto Vaz de Sousa

– Regulação do uso dos agrotóxicos no Brasil: situação atual e perspectivas
Luis Cláudio Meireles
Gerente Geral de Toxicologia da Anvisa

Moderador: Raimundo José Arruda Bastos

10h30min Painel “Promoção da saúde: terra, água e alimentos para uma vida saudável”
– Agroecologia para o desenvolvimento territorial sustentável
Walmir Severo Magalhães
Diretor Técnico da Ematerce

– Gestão de recursos hídricos e proteção dos mananciais
Francisco José Coelho Teixeira
Diretor Presidente da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos

– Experiências comunitárias de cultivo orgânico:
Associação dos produtores orgânicos da Ibiapaba – São Benedito
José Alves Moreno – Presidente

Assentamento Valparaiso – Tianguá
Antônia Suzete de Olinvindo Silva – Presidente

Moderador: Antônio Rodrigues Amorim

12h Debate

12h30min Intervalo para almoço

14h Painel “A Pesquisa no Ceará: que resultados revelam, que caminhos indicam”
– Estudo epidemiológico da população da Região do Baixo Jaguaribe exposta à contaminação ambiental em área de agrotóxico
Raquel Maria Rigotto
Professora adjunta do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará

– Avaliação do potencial de contaminação de águas superficiais e subterrâneas por  pesticidas aplicados na agricultura do Baixo Jaguaribe
Maria Aparecida Liberato Milhome
Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará

– Embrapa Agroindústria Tropical: a agenda de pesquisa numa perspectiva ambiental e de saúde
Andréia Hansen Oster
Chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroindústria Tropical

Moderadora: Viviane Gomes Monte, Assessora Técnica do Conpam

15h30min Debate

16h às 17h Carta do Ceará: compromisso com a terra, a saúde e a vida
Relator: Manoel Dias da Fonsêca Neto

 

09.09.2010
Assessoria de Imprensa da Sesa:
Selma Oliveira (soliveira@saude.ce.gov.br – 85 3101.5220)