Ceará aumenta em mais de 200% número de mamografias realizadas

22 de novembro de 2010

O Ceará registrou, até o último mês de setembro, um aumento de mais de 200% no número de mamografias realizadas em todo o ano 2009. Ano passado foram realizados 11.801 exames pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2010, até setembro, haviam sido realizados 35.686 mamografias em todo o Estado. O avanço é um dos resultados alcançados pelo Comitê Estadual de Controle do Câncer, instalado pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) em 2008 e que assumiu a implantação no Ceará do Sistema de Informações sobre Câncer de Mama (Sismama), programa do Ministério da Saúde encabeçado pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) para melhorar as condições de detecção e tratamento do câncer de mama no Brasil. 

 

A razão entre mamografias realizadas nas mulheres de 50 a 69 anos e a população feminina nesta faixa etária é o indicador utilizado pelo Ministério da Saúde na pactuação com os estados pera alcançar uma cobertura de 60% da população-alvo, com a ampliação da oferta do exame. Partindo de um índice de 0,025, o Ceará comprometeu-se a elevar esse indicador a 0,06 em 2010 e a 0,08 em 2011. Com as policlínicas que o Governo do Estado entregará à população em cada uma das 21 microrregiões de saúde até o próximo ano, a oferta do exame no Ceará será ampliada em 60%, passando dos atuais 35 mamógrafos do SUS ou conveniados para 56 aparelhos. Com essa capacidade instalada, será possível atingir a meta de cobertura de 70% da população-alvo que o Comitê Estadual de Controle do Câncer se auto-estabeleceu.

 

Para cumprir seus objetivos, o Comitê realizou, a partir de junho de 2009, em conjunto com o Grupo de Educação e Estudos Oncológicos (GEON), da Universidade Federal do Ceará (UFC), treinamentos de capacitação e sensibilização com todos os prestadores de serviço de mamografia do Estado e secretarias municipais de saúde para a implantação do Sismama. Foram implantados, também, em todo o Estado os módulos de seguimento, que ajudam os municípios a acompanhar suas pacientes e realizar os procedimentos indicados. Das 47.487 mulheres que, em 2009 e 2010, fizeram mamografia, 23.883 foram para seguimento e 23.554 não precisaram ser acompanhadas.

 

Com o Sismama, a cadeia do câncer de mama – consultas, exames e procedimentos diversos – passa a contar com uma integração informatizada, através da qual todas as fases do atendimento às pacientes são acompanhadas e registradas em fichas individuais, baseadas no formulário das Unidades Básicas de Saúde. Ali estão registrados o diagnóstico clínico, exames de mamografias nos serviços de radiologia credenciados, a eventual confirmação do tumor através da biópsia, além de tratamentos cirúrgicos, quimioterapia e radioterapia.

 

Com todas as documentações padronizadas, incluindo laudos, o Sismama racionaliza o sistema e é um importante instrumento de controle epidemiológico e individual da doença. O programa estabelece um sistema de padrão único para os registros das pacientes com diagnósticos ou suspeitas de câncer de mama.

 

A origem do câncer de mama geralmente é multicausal e pode estar associada a vários fatores de risco: idade (70% em mulheres acima de 50 anos), histórico familiar, tempo de exposição ao estrogênio (menstruação precoce, menopausa tardia, gravidez após os 30 anos, ausência ou poucas gestações, consumo de anticoncepcionais hormonais), raça (mulheres brancas correm mais risco), obesidade, má alimentação, tabagismo, alcoolismo, exposição a produtos químicos tóxicos, exposição a campos eletromagnéticos.

 

Um dos fatores que dificultam o tratamento é o estágio avançado em que a doença é descoberta. A maioria dos casos de câncer de mama, no Brasil, é diagnosticada em estágios avançados, diminuindo as chances de sobrevida das pacientes e comprometendo os resultados do tratamento. Com o Sismama, o diagnóstico será agilizado e os tratamentos serão monitorados para aumentar as chances de cura e expectativa de vida das mulheres diagnosticadas com doença. Com os módulos de seguimento implantados, a meta cearense é aumentar dos atuais 50% para 80% o índice de cura das mulheres diagnosticadas com câncer de mama – o mesmo verificado em países do primeiro mundo, como os Estados Unidos.

 

No Brasil, o câncer de mama é a maior causa de óbitos por câncer na população feminina, principalmente na faixa etária entre 40 e 69 anos. No Ceará acontece o mesmo e, nos anos de 2006 e 2007, a taxa de mortalidade pela doença foi de 9,5 e 9,2 por 100 mil habitantes, respectivamente. A incidência é de 50 casos por 100 mil habitantes. A mortalidade por câncer de mama, o mais letal entre as mulheres, vem aumentando significativamente nos últimos vinte anos. A maioria dos casos de morte atribui-se ao diagnóstico tardio. Com base em projeções e estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), no Ceará até o final deste ano, mais de 1.600 mulheres saberão que estão com a doença.

 

22.11.2010

Assessoria de Imprensa da Sesa

Selma Oliveira / Marcus Sá (soliveira@saude.ce.gov.br / 85 3101.5220)