Professor da Uece desvenda reprodução de sapinho que só existe no Ceará

10 de Março de 2011

No Ceará ainda existem muitos animais e plantas cujos hábitos são completamente desconhecidos pela ciência e pela população. O sapinho “maranguapense” (Adelophryne maranguapensis) é um desses exemplos. Ao investigar algumas dessas espécies, o professor Daniel Cassiano Lima,  da Faculdade de Educação de Itapipoca (Facedi) – a 130 km de Fortaleza – da Universidade Estadual do Ceará (Uece), elegeu o “maranguapense” como tema central da sua pesquisa de doutorado, que ele começou a desenvolver em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM-RS), sob a orientação da profa. dra. Sonia Zanini Cechin. O resultado dessa pesquisa foi recentemente publicado no North-Western
Journal of Zoology e pode ser acessado no endereço  http://herpor.uv.ro/nwjz/content/v7n1/nwjz.111109.Lima.pdf

O sapinho maranguapense (Adelophryne maranguapensis) foi descoberto em 1994. Ele tem dois centímetros de comprimento, é diurno e pode ser encontrado em altitudes superiores a 600 metros. Com presença restrita às partes úmidas da Serra de Maranguape, esse tipo se encontra na Lista Nacional de Espécies da Fauna Ameaçada de Extinção. Atualmente, existem outras cinco espécies do mesmo gênero, sendo uma ocorrente nas serras de Baturité e da Ibiapaba. Até o momento a ciência apenas sabia da existência desses animais, porém levantava várias hipóteses sobre a
biologia das espécies desse gênero.

A pesquisa já conseguiu elucidar a forma como a espécie se reproduz. Diferente da maioria dos anfíbios cujos girinos desenvolvem-se dentro da água, o Adelophryne maranguapensis tem uma forma de nascimento direto. As fêmeas depositam os ovos nas axilas das folhas de bromélias, sem contato com a água, e desses ovos já eclodem os sapinhos totalmente formados, sem passarem pela fase de larvas.

O professor Daniel ressalta que essa forma de reprodução ocorre principalmente em animais pequenos de ambientes florestais que concentram grande umidade no ar. É o caso da Serra de Maranguape e afirma: esta descoberta servirá como instrumento para tomada de decisões quanto à conservação da serra, pois além da caça, o desmatamento e a retirada de plantas, entre elas as bromélias, certamente afetarão a sobrevivência desses animais na serra.

Contato: Prof. Daniel Cassiano (85) 8611-7976

 

10.03.2011

Assessoria de Imprensa da Uece

Fátima Serpa (mfserpa@uece.br / 85 3101.9605)