Cid Gomes ressalta resgate histórico e cultural do Palácio da Abolição

25 de Março de 2011

Confira a íntegra do discurso do governador Cid Gomes realizado na solenidade de inauguração da restauração do Palácio da Abolição:

 

“Há 127 anos, mais precisamente no dia 25 de março de 1884, o Ceará declarava a libertação de todos os seus escravos. Esse fato histórico, de incalculável transcendência, repercutiria profundamente em nosso meio e no Brasil inteiro. Por justas razões, o pioneirismo libertário tornou-se um dos nossos orgulhos, enquanto a Abolição passou a ter, para nós, profundo simbolismo. É pertinente, portanto, que a sede do Poder Executivo Estadual, no Ceará, tenha sido batizada como “Palácio da Abolição”.

 

Concebido pelo arquiteto Sérgio Bernardes, mais do que um palácio, este é um monumento à liberdade. Passadas quatro décadas de sua inauguração, o conjunto arquitetônico continua impressionando pelas linhas arrojadas e a beleza dos jardins que o cercam. Urgia valorizá-lo, devolvendo-lhe o brilho e realce que o tornam uma das mais belas edificações da Capital cearense.

 

Inaugurado a 4 de julho de 1970, pelo Governador Plácido Castelo, o Palácio abrigou, nos anos seguintes, os governadores César Cals, Adauto Bezerra, Waldemar Alcântara, Virgílio Távora, Manuel de Castro Filho e Gonzaga Mota. Em 1987, a sede do Governo foi transferida para o bairro do Cambeba, passando o Abolição a acolher diversos órgãos estaduais, dentre eles a Secretaria da Cultura.

 

O projeto de trazer de volta a sede do Executivo para cá foi apresentado no início de nossa primeira gestão, sendo, desde então, maturado e cuidadosamente posto em execução. Não economizamos em desvelos, levando em conta que se tratava de restaurar uma edificação muito especial. O conjunto se constitui em exemplar típico do Movimento Moderno da arquitetura brasileira. Além do mais, levando-se em conta a ilustre galeria de governadores que aqui tomaram assento, o Palácio já se havia tornado um testemunho de nossa história.

 

Hoje, o Abolição recupera seu papel, depois de valorizado em seus traços mais marcantes. Cada pedra, cada peça de vidro, cada centímetro quadrado do revestimento em concreto ou madeira, assim como as grandes portas do hall de entrada, em jacarandá trabalhado, tudo foi zelosamente polido, lustrado, recuperado, com o rigor que merece uma relíquia arquitetônica. Diante do imponente mausoléu do Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, os jardins voltaram a se revestir com as cores e desenhos concebidos pelo genial paisagista Fernando Chacel, recentemente falecido. Ao mesmo tempo, impregnados pelas marcas de nossa cultura, estes espaços ganharam uma biblioteca e continuarão abrigando uma galeria de arte. Vale ainda lembrar que o auditório de 214 lugares estará permanentemente aberto para a realização de eventos culturais e artísticos.

 

Essa proximidade com a arte há de ser salutar para as atividades administrativas que constituem a finalidade inicial do Palácio e que incluem, além do Gabinete do Governador, a Casa Civil, a Casa Militar e respectivas assessorias.

 

Submetido, durante anos, ao desgaste imposto pelo tempo, o Palácio está “novo”. Outra vez se apresenta pronto para ser palco da história, aquela que se escreve no dia a dia, e aquela constituída pelos grandes acontecimentos. Estamos, agora, de janelas e portas abertas para o Ceará e seu povo. Estamos mais próximos, mais visíveis, mais tangíveis, como cabe a quem, numa democracia, recebeu a missão de governar. Estamos no Palácio da Abolição para seguir conduzindo um governo transparente, que leva a sério o compromisso com o diálogo e com a construção de uma sociedade justa e próspera.
Sejam todos bem-vindos”.

 

Cid Ferreira Gomes

 

25.03.2011

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