Temperatura alta exige maior cuidado com a dengue

30 de janeiro de 2013

Temperatura alta e chuvas irregulares, que aumentam a umidade, são condições favoráveis para a proliferação do mosquito transmissor da dengue. O Aedes aegypti. Historicamente, o período mais crítico para a ocorrência da doença é no primeiro semestre do ano. No Ceará, o quadro de seca acrescenta um ingrediente a mais às condições de desenvolvimento do mosquito, já que as famílias afetadas pela estiagem costumam armazenar água no interior das residências, oferecendo assim criadouros ideais para a proliferação do Aedes aegypti. Desde o ano passado, no início da elevação da temperatura e tendo em vista a transição de prefeitos, a Secretaria da Saúde do Estado reforça o alerta aos gestores municipais para que mantenham as ações de combate à dengue.

Para qualificar as ações de vigilância, prevenção e controle da dengue, o Ministério da Saúde está repassando a todos estados e municípios brasileiros R$ 173,3 milhões. Os recursos representam 20% do valor anual do Piso Fixo de Vigilância e Promoção à Saúde e são destinados ao aprimoramento das atividades de controle do vetor, vigilância epidemiológica e assistência ao paciente com dengue. Esses recursos serão utilizados pelos estados e municípios no financiamento das atividades essenciais para o controle da dengue, como a visita dos agentes de saúde, compra de equipamentos e treinamentos de pessoal. Municípios do Ceará estão recebendo R$ 8,2 milhões para a qualificação das ações de combate ao mosquito.

Cerca de 90% dos focos do Aedes aegypti, mosquito que transmite a dengue, são encontrados dentro de casa e nos quintais. Com o perigo tão perto, a orientação da Secretaria da Saúde do Estado é de que pelo menos uma vez por semana as famílias façam a limpeza rigorosa em todos os depósitos que acumulam água. Os ovos do mosquito ficam por mais de 1 ano nas bordas das caixas d`água, tinas, baldes, garrafas, latas. No contato com a água, eclodem e saem por aí ameaçando a saúde da população, transmitindo uma doença que deixa as pessoas com dores nas articulações, febre, dor de cabeça e que pode matar.

Estudo desenvolvido na Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz pela pesquisadora Adriana Fagundes Gomes e divulgado este mês relaciona o aumento da temperatura aos casos de dengue. O objetivo do trabalho foi estudar o efeito de fatores sazonais e a relação entre as variáveis climáticas e o risco de dengue na cidade do Rio de Janeiro entre 2011 e 2009. O resultado mostra que o aumento de um grau na temperatura mínima em um mês ocasiona uma elevação de 45% no número de casos de dengue no mês seguinte. A importância da temperatura mínima se deve ao fato de o mosquito não conseguir se alimentar abaixo de 16º Celsius. Os resultados também apontaram que o risco de dengue aumenta quando a temperatura é superior a 26º C. De acordo com previsão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a temperatura em Fortaleza para este fim de semana deve variar entre 26º e 31º, intervalo ideal para o desenvolvimento do mosquito transmissor da dengue. No Estado, a temperatura máxima deve alcançar 34º.

Para o controle da dengue, os prefeitos e secretários municipais de saúde devem assegurar a continuidade das ações de controle focal do mosquito, casa a casa, pelos agentes de endemias, garantir a supervisão de campo das ações de agentes de endemias e a disponibilidade de equipamentos de proteção individual (EPI), realizar mutirão de limpeza urbana, convocando a população para colaborar, limpando os quintais, principalmente no período que antecede as chuvas, implantar ou implementar as ações de vedação de caixas d’água com tela ou cimento, realizar atividade de mobilização social especialmente nas escolas municipais (gincanas, concursos de redação e peças de teatros). Na área de vigilância e assistência, os municípios devem assegurar a notificação imediata de todos os casos para a vigilância epidemiológica, alertar todos os profissionais da Saúde da Família e da rede hospitalar sobre o diagnóstico e tratamento dos casos de dengue, garantir o estoque de medicamentos e material de laboratório que permita o diagnóstico e tratamento precoces e garantir o fluxo de atendimento e referência para pacientes com dengue hemorrágico ou dengue com complicação.

 

30.01.2013

Assessoria de Comunicação da Sesa

Selma Oliveira / Marcus Sá ( selma.oliveira@saude.ce.gov.br / 85 3101.5220 / 3101.5221 / 8733.8213)

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