A missão de ressocializar mulheres

7 de Março de 2015

“Deus me deu nas mãos uma forma realmente de servir, de me sentir extremamente útil, extremamente gratificada com o trabalho que a gente realiza”. É assim que a diretora do Centro Educacional Aldaci Barbosa Mota (CEABM), Elisa Barreto Rodrigues, compreende o seu trabalho diário. Servidora pública estadual há 33 anos, Elisa tem a importante missão de promover a ressocialização de mulheres autoras de atos infracionais com idade entre 12 e 21 anos sentenciadas pela Justiça com medidas sócio-educativas do CEABM.

2Elisa, que é formada em Letras com especialização em Gestão Pública e Psicopedagogia, é responsável pela direção de unidades como o Centro há 23 anos, mas foi há sete que passou a trabalhar especificamente com o público feminino, e justamente no equipamento em que está atualmente. “Na verdade, eu sempre trabalhei com o público masculino. Eu tinha uma certa resistência de trabalhar com as meninas. Quando cheguei aqui eu me encantei, porque elas têm uma característica muito própria, são muito afetivas. A gente se afeiçoa muito”, ressaltou.

Visita ilustre

Na última sexta-feira (6/3), além da visita de familiares, as internas encaminhadas por ordem judicial ao Centro Educacional receberam a visita da primeira-dama do Estado, Onélia Leite Santana. Acompanhada do secretário do Trabalho e Desenvolvimento Social, Josbertini Clementino; da secretária executiva da pasta, Ana Maria Cruz de Sousa; da coordenadora da Proteção Social Especial da STDS, Mariana Abreu; e também da própria diretora do Centro, Onélia conheceu a estrutura e o funcionamento do equipamento e participou ainda da comemoração do Dia Internacional da Mulher na unidade.

3Onélia tomou conhecimento do projeto pedagógico utilizado no Centro Educacional, que assegura o funcionamento sistemático de atividades em sala de aula, oficinas e cursos. Entre as atividades de rotina, são realizados atendimentos individuais e grupais às adolescentes e familiares. Acontecem ainda passeios e eventos comemorativos, visando o processo contínuo de socialização.

Apoio familiar

Para Elisa, um dos pontos principais na ajuda para o retorno ao convívio da sociedade é o apoio familiar. “Sem dúvida nenhuma, é o apoio, é a acolhida da família. A gente percebe que com as famílias mais presentes é mais fácil (o trabalho), porque elas sabem que têm o apoio. Quando a menina tem esse apoio amplo da família, ela tem mais chance lá fora. É todo um contexto: a escola, o trabalho, a família. Mas, com certeza, a família é muito importante”, avaliou.

4É no Centro Educacional e na família que a que a interna S. B. S., de 18 anos, de Iguatu, consegue enxergar uma nova oportunidade de vida. E foi nessa unidade que a vida dessas duas mulheres se cruzaram. “Eu penso muito na minha família. Eles me dão todo apoio. Meu lugar é com meu filho e com minha mãe, mas foi aqui dentro que aprendi a ser melhor. As oportunidades que desperdicei lá fora,voltaram para mim nesse lugar através de cursos e oficinas”, disse a interna. E não perdeu tempo em realizar um desejo antigo. “Sempre fui louca para aprender a costurar. Fiz costura, participei do salão de beleza. Estou aproveitando cada oportunidade. Pretendo sair daqui o mais rápido possível. E realizar um sonho de ser dona do meu próprio negócio, ser dona de uma loja”, relatou a jovem.

Para realizar a sua missão de ressocialização, a diretora Elisa conta com equipe formada por assistente social, psicólogo, advogado, pedagogo, educador físico e coordenador de disciplina, que junto com Elisa, realizam avaliação de cada interna de seis em seis meses para diagnosticar se elas podem voltar ao contexto sócio-familiar. Segundo a diretora, são analisados o comportamento; a aproximação familiar; a participação nas atividades de sala de aula e oficinas; além da reflexão sobre o ato infracional cometido. No CEABM, é realizado um trabalho pelo corpo técnico que objetiva favorecer a criatividade das adolescentes, em um nível amplo de consciência de si mesma, do ato infracional praticado, suas causas e conseqüências e seus direitos e deveres enquanto partícipes da sociedade.

A interna de 18 anos comentou a importância do trabalho realizado pelos funcionários. “Todos me ajudam. Eles dizem para eu não desistir dos meus sonhos, do meu futuro e do futuro do meu filho. Aqui o que vai ficar marcado para mim são as pessoas. O modo como elas me tratam. Eu sinto que eles gostam de mim de verdade, cuidam de mim e sempre me respeitam”, pontuou.

“O meu maior desejo é que elas possam retomar o caminho delas. A gente fica muito feliz, se emociona, quando a gente vê que elas retomaram a vida, estão trabalhando, estudando. Quando vemos um futuro diferente e uma nova perspectiva de vida”, é o que Elisa deseja todos os dias para as mulheres que passam pelo Centro Educacional Aldaci Barbosa Mota.

07.03.2015

Assessoria de Imprensa do Gabinete da Primeira-Dama
Déborah Vanessa ( deborah.vanessa@gabgov.ce.gov.br / 85 3101.1568 – 8809.8731)