Izolda, a mulher que transformou a educação do Ceará em referência nacional

8 de Março de 2015

Em mais de quatro séculos de existência oficial do Ceará, enfim a primeira vice-governadora do estado do Ceará assumiu em 2015. A história de Maria Izolda Cela de Arruda Coelho se confunde com a de muitas mulheres que administram família e carreira e precisam ir além quando assunto é ascensão profissional e respeito em ambientes antes ocupados preferencialmente por homens. Na data em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, a vice-governadora lembra o verdadeiro sentido de se marcar no calendário: a luta iniciada no século XX por igualdade de direitos, salários e respeito.

 

Psicóloga e professora do curso de pedagogia da Universidade Estadual Vale do Acaraú, Izolda, assim como a maioria das mulheres que buscam o reconhecimento profissional, percorreu um longo caminho de formação. É mestre em Gestão e Avaliação da Educação Pública, tem Especialização em Gestão Pública, além de Especialização em Educação Infantil.

 

izolda2A professora avalia que, apesar de ainda haver disparidades salariais, elas estão diminuindo gradativamente. “Cada vez mais se constata um número crescente de mulheres na formação acadêmica, técnica”. Ela comemora ainda o fato de que o número de inserções da mulher no mercado de trabalho, inclusive em cargos mais estratégicos, enriquece as organizações. “Traz uma perspectiva diferente. Nem melhor, nem pior. Apenas diferente”.

 

A vice-governadora, que ganhou maior destaque no meio político quando assumiu a Secretaria de Educação do Estado do Ceará, de 2007 a 2014, e levou o Ceará a ser referência no setor em todo o País, avalia como “importantíssimo” haver participação da mulher em ambientes considerados ‘masculinos’, como a política. “A mulher não precisa imitar o homem, imitar o padrão masculino nesses contextos como o da política. Ela pode e deve atuar com o seu melhor desempenho e é isso que vai fazer a diferença. A política é de certa forma de domínio masculino e precisa melhorar”.

 

Izolda afirma que um dos pontos abordados pelo projeto ‘Ceará Pacífico’, que tem como objetivo planejar a segurança do Estado com base na integração intersetorial e em experiências nacionais exitosas, diz respeito ao fortalecimento da cultura de paz entre homens e mulheres. “Queremos uma sociedade mais pacífica o mais breve possível. Isso passa também pela relação entre homens e mulheres”.

 

Para que se fortaleçam as conquistas das mulheres, Izolda afirma que é preciso também uma revolução no universo masculino. “A inserção da mulher no mercado de trabalho é importante. Mas temos também nossa cultura, nossos hábitos. Talvez as novas gerações respondam melhor à divisão de tarefas dentro de casa. Se não, sobra para a mulher um ritmo de trabalho vigoroso. Ela contribui financeiramente, tem autonomia financeira e em casa pesa sobre ela a dinâmica da organização familiar. Os homens também vão aprender a ser melhores”.

 

Ela lembra que durante toda sua carreira, especialmente ligada à educação, sempre trabalhou na orientação de projetos pedagógicos que busque uma mudança cultural. “Devemos atentar sempre para isso, para não lidarmos com meninos e meninas com a cristalização de modelos que não se adaptam mais as necessidades das famílias, da configuração de ritmo de trabalho da mulher. Cada vez mais a gente tende para que esse comportamento dos meninos mude, de se verem também como donos de casa, de estarem presentes nos trabalhos de rotina de casa”, aposta.

 

Para que haja essa transformação de postura de ambos os sexos, a vice-governadora cita a importância da instituição de ensino e dos professores. “A escola não faz milagre, mas ela pode fazer um contraponto muito importante, inclusive naquela situação em que a criança não tem condições muito favoráveis na família”.

 

Em seu trabalho como psicóloga e escritora, Izolda recorda do desafio de ver a escola como um espaço de prevenção no que diz respeito à saúde mental, na boa integração da pessoa na sociedade. “Vi coisas importantes acontecendo, como mudanças de comportamento da criança e dos pais. A gente trabalha com a criança e é importante que alcance a família. Também já vi muitos relatos emocionantes de professores”.

 

Essas mudanças já passam pelas leis. Após a criação da Lei Maria da Penha, inspirada na trágica história da biofarmacêutica cearense, ela lembra que recentemente foi aprovada a lei que torna o feminicídio crime hediondo. “A violência contra a mulher não está aumentando. O que há é que ela está sendo mais denunciada. As mulheres estão reagindo em buscar ajuda. A sociedade está no passo de tornar isso inaceitável. Mas ainda temos muito a caminhar nesse sentido”, avalia.

 

Para ela, é importante que a mulher reconheça um amparo na sociedade, pela dificuldade de denunciar algo que acontece nos espaços privados, como intimidação psíquica, sexual, além da violência física. “Essas ações ficam meio escondidas, como se fosse do temperamento do homem, e não é. É importante as mulheres cada vez mais perceberem aquilo que invade o seu espaço de integridade. É absolutamente necessário combater, de não permitir aquilo. Eu sei que muitas vezes não é fácil. Há mulheres que são ameaçadas, temem pelos filhos. Mas isso tende a puxar outas questões de igualdade, inclusive de remuneração. É a mulher mostrando que é capaz”, concluiu.

 

 

 

08.03.2015

 

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