Semana da Água: guardar água aumenta risco de dengue. É preciso ter cuidados

23 de Março de 2015

No Dia de São José, 19 de abril, quando os cearenses renovam as esperanças de bom inverno, a Secretaria da Saúde do Estado reforça o alerta às famílias que costumam acumular água das chuvas sobre os riscos de infestação do mosquito Aedes aegypti, que transmite a dengue e também a febre Chikungunya. Na divulgação do último Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), que ajuda os municípios a identificar os bairros em que há mais focos de reprodução do mosquito, o Ministério da Saúde mostrou que esses focos podem estar em formas de armazenamento de água, em caixa d’água; no lixo que não está sendo manejado adequadamente; e em depósitos domiciliares, como vasos de plantas. Pelo perfil dos criadouros, enquanto nas regiões Sul, Norte e Centro-Oeste a maioria dos focos está no lixo, no Nordeste o armazenamento de água é a principal fonte de preocupação.

 

O perfil dos principais focos do mosquito transmissor no Nordeste tem relação direta com irregularidade das chuvas na região, que leva as famílias a adotar medidas de prevenção à falta d’água para diminuir as dificuldades nos períodos de estiagem. No Ceará, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) prevê maior probabilidade de chuvas abaixo da média histórica nos meses de março, abril e maio. O prognóstico da Funceme mostra que as precipitações no Centro-Sul do Estado tendem a ficar mais próximas da média histórica, enquanto na metade norte a tendência é de índices mais baixos de chuvas no acumulado do trimestre.

 

No ano passado o Ceará contou 163 municípios com registro de infestação pelo Aedes aegypti e, este ano, de acordo com o Ministério da Saúde, o Estado tem seis municípios em nível de risco de epidemia, com Índice de Infestação Predial (IIP) acima de 3,9%, 14 municípios em alerta, onde menos de 3,9% dos imóveis pesquisados têm larvas do mosquito, e 17 com IIP satisfatório, com índice abaixo de 1% de residências com larvas do mosquito. A associação do vírus em circulação com a presença do Aedes aegypti e água limpa armazenada dentro de casa fornece as condições ideais para a proliferação do mosquito e a disseminação das doenças que ele transmite. Por essa razão as famílias devem se cercar de cuidados ao armazenar água e, assim, ajudar a combater o mosquito.

 

Baldes, potes, quartinhas, bacias, camburões e outros recipientes que guardam a água de beber e para outros usos domésticos, assim como a caixa d’água, devem ser mantidos limpos e vedados para evitar o risco de proliferação do Aedes aegypti, que deposita os ovos em criadouros com água limpa e parada. Para impedir a desova, é fundamental eliminar todos os potenciais focos do mosquito transmissor. Se isso não for possível, é necessário que todos os locais de armazenamento de água sejam mantidos bem fechados e protegidos com telas e tampas adequadas. É importante ressaltar que o tratamento da água não substitui a necessidade de remoção e proteção dos potenciais criadouros do Aeds aegypti.

 

Os ovos da fêmea do mosquito são depositados nas paredes do criadouro, bem próximo à superfície da água, porém não diretamente sobre o líquido. Daí a importância de lavar, com escova ou palha de aço, as paredes dos recipientes que não podem ser eliminados, onde o ovo pode permanecer grudado. Em condições ambientais favoráveis, após a eclosão do ovo, o desenvolvimento do mosquito até a forma adulta pode levar um período de 10 dias. Por isso, a eliminação de criadouros deve ser realizada pelo menos uma vez por semana. Assim, o ciclo de vida do mosquito será interrompido. Além desse cuidado, é preciso evitar que água de chuva se acumule sobre a laje e calhas, guardar garrafas sempre de cabeça para baixo, encher até a borda os pratinhos dos vasos de planta e eliminar adequadamente o lixo que possa acumular água, como pneus velhos, latas, recipientes plásticos, tampas de garrafas e copos descartáveis.

 

Este ano foram notificados no Ceará 5.847 casos suspeitos de dengue em 131 municípios. Dos casos notificados foram confirmados 1.560 em 64 municípios. Foram ainda notificados 63 casos graves, confirmados 44, sendo 38 de Dengue com Sinais de Alarme e seis casos com um óbito por Dengue Grave.

 

 

CRIADOUROS POR REGIÃO

Região

Armazenamento
de água

Depósitos
domiciliares

Lixo

Norte

24,5

27,3

48,2

Nordeste

76,5

17,8

5,7

Sudeste

21,7

52,6

25,7

Centro-oeste

24,2

24,2

51,6

Sul

14,8

32,5

52,7

Fonte: Ministério da Saúde

 

 

23.03.2015

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