Medalha da Abolição: Carlos Francisco Ribeiro Jereissati e Luiza de Teodoro Vieira

25 de março de 2017 # # # # #

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A cerimônia está marcada para as 17 horas deste sábado (25), no Centro de Eventos do Ceará

O Governo do Ceará realiza, neste sábado (25), a cerimônia de entrega da Medalha da Abolição 2016/2017 e, desde a última quinta-feira, a Coordenadoria de Imprensa do Governo do Ceará publica os perfis dos seis agraciados. Na quinta-feira, foi a vez de Ciro Gomes e Napoleão Nunes Maia Filho, e, na sexta, de Valton de Miranda Leitão e de Francisco Alemberg de Souza Lima, o Alemberg Quindins. Hoje, conheceremos as trajetórias de Carlos Francisco Ribeiro Jereissati e Luiza de Teodoro Vieira.

A cerimônia da entrega da Medalha da Abolição será às 17 horas no Centro de Eventos do Ceará. Nesta edição, a solenidade não ocorrerá no Palácio da Abolição em virtude do período chuvoso.

Carlos Jereissati

Carlos Francisco Ribeiro JereissatiO empresário Carlos Francisco Ribeiro Jereissati, 70, divide o coração por três estados. Guarda com carinho as lembranças do Rio de Janeiro, para onde migrou ainda criança devido às atividades políticas do pai, ex-deputado federal e ex-senador Carlos Jereissati. Vive desde 1966 em São Paulo. Por lá formou-se em Economia, fortaleceu-se no campo dos negócios – especialmente no ramo de shopping centers e das telecomunicações – criou laços solidificados pelo tempo e pelos afetos. Mas é do Ceará, terra natal, que o fortalezense reconhece suas principais raízes. Lugar de origem da tradição empreendedora da sua família, das paisagens que nunca deixou de visitar. E por onde assumiu o compromisso de estar sempre presente e ativo nas colaborações pelo desenvolvimento do
Presidente do Grupo Jereissati desde 1970, à frente das empresas Iguatemi Empresa de Shoppings Centers, Grande Moinho Cearense e Contax pelo Brasil, Carlos tem o nome escrito dentro da história do empresariado cearense. É por sua representatividade e competências ao longo das décadas que o economista será um dos seis agraciados com a Medalha da Abolição 2016/2017, condecoração a ser entregue pelo governador Camilo Santana neste sábado, a brasileiros com trabalhos relevantes prestados ao Estado.

Em conversa com a reportagem, Jereissati recordou momentos marcantes da sua trajetória de empreendedorismo, a herança do tino de negócios proporcionada pela família e destacou o orgulho de receber pela primeira vez a homenagem do Governo do Ceará.

Durante todas essas décadas à frente do Grupo Jereissati, quais as principais evoluções percebidas como gestor dentro do pensamento econômico local?

O que percebo são os desenvolvimentos na forma de pensar e de se capacitar os profissionais dentro de cada setor. Hoje a prioridade é muito mais a formação e a qualificação do pessoal nas empresas. Anteriormente isso não era algo determinante, era sempre mais na coisa da experiência prática, de fazer acordos com conhecidos, etc. Criou-se e evoluiu-se a prática de buscar cada vez mais especialistas com estudos em áreas específicas. Outro ponto que pude vivenciar ao longo de todos esses anos à frente do Grupo – lidando com variados nichos e épocas da economia brasileira – foi a inserção da tecnologia nas nossas práticas, tanto na forma de computação e softwares mais modernos quanto na evolução da comunicação empresarial através de redes sociais e das mais diversas ferramentas disponíveis. Mas a palavra central que eu guardo é qualificação. Inexistia há muito tempo o surgimento de pessoal adequado para executar cada serviço. Acabou surgindo com a propagação de novos cursos e as melhorias no ensino superior do país.

Como se deu a sua ida ao sudeste, onde estudou e teve atuações importantes no Rio de Janeiro e em São Paulo?

A minha saída do Ceará foi algo natural, pelo contexto familiar que vivi desde cedo. O meu pai (Carlos Jereissati, 1917-1963) foi deputado federal e senador pelo Estado, e a capital do Brasil na época, até 1961, era a cidade do Rio de Janeiro. Então ele se mudou com toda a família logo no início da década de 1950 para lá, onde constituímos raízes e passamos momentos importantes do nosso crescimento. Eu e meus irmãos nos formamos todos no Rio.

Quando meu pai faleceu precocemente aos 44 anos, em 1963, foi que eu arrumei as malas e fiz mudança para a cidade de São Paulo. O motivo da mudança foi porque a família já tinha negócios em andamento na capital paulista e precisava assumir o controle das ações de cada compromisso deixado pelo meu pai. Isso exigiu minha readaptação. Uma quebra no dia a dia para entrar na realidade de outra grande cidade. Minha vida acadêmica sofreu uma alteração importante naquela época, pois cursei dois anos de Economia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, depois da morte do meu pai, tive que me transferir para a Universidade Mackenzie de São Paulo.

Hoje é difícil afirmar qual das cidades nutro maior identificação. Passei dos sete anos até os 18 no Rio de Janeiro, de onde tenho lembranças dos tempos dos estudos, tenho até hoje amigos feitos no colégio Santo Inácio. Tenho muita ligação com o Rio. Mas com São Paulo a relação também é intensa, até porque estou desde 1966, então é impossível não ter esse laço paulistano forte. Foi onde aprendi muito sobre a função de gestor, vivenciei muitas etapas do crescimento do Grupo Jereissati e consegui muitas conquistas.

A manutenção das raízes cearenses se deu de qual maneira ao longo dos anos?

Eu tenho todas as raízes cearenses. O único da família Jereissati que veio morar no Sul do país foi o meu pai. O resto da família, tios, primos, ficou todo em Fortaleza. Então desde pequeno passava todas as minhas férias no Ceará. Nunca me distanciei da minha terra em momento algum. Até os 18 anos, por exemplo, minha vida era quatro meses em Fortaleza e oito no Rio de Janeiro. Sou cearense e sempre faço questão de manter essa proximidade com minhas origens, como também me assumir como contribuinte, através das ações do grupo, no desenvolvimento do Estado.

A minha família é muito unida. Então sempre estou no Ceará, recebi minhas irmãs há pouco tempo em São Paulo. Fazemos sempre essas viagens e, quando posso, estou visitando Fortaleza. Por isso nunca vou deixar de ter uma enorme identificação com o local de onde saí.

Quais as referências o senhor teve desde cedo para seguir no ramo da Economia?

Sem dúvidas, as referências já estavam dentro de casa e no meu convívio. A minha família sempre teve muita tradição com homens de negócios, principalmente nos ramos de tecido e de imóveis. O meu pai, que era um grande empreendedor, entrou na política quase que por acidente, convencido por amigos. Petebista, ele foi motivado pelos grupos nos quais se destacava nas discussões e debates. Então o tino para cuidar de empresas eu pude presenciar logo cedo. Na hora de escolher qual graduação fazer, para se adequar às atividades familiares, eram dois os caminhos: cursar Economia ou Administração. Escolhi Economia por considerar, na época, algo mais completo e que me daria mais ferramentas para entrar no mercado profissional. Quando precisei assumir os negócios do meu pai, eu tive que me dedicar a terminar os estudos e seguir os cursos de especialização para tocar da melhor forma as empresas em desenvolvimento.

Qual a mensagem mais importante herdada do seu pai que ajudou neste processo de assumir os negócios da família?

Ele me deixou uma mensagem direta: se não trabalhar duro, não tem milagre. Esse foi o maior ensinamento que herdei para minha vida. Como o meu pai dizia: “acorda cedo, dorme tarde e esteja presente em todas as ações principais de tudo que for da sua responsabilidade”. Nessa caminhada você erra, aprende, faz de novo, mas sempre faz fortalecido se mostrar dedicação e encarar tudo como um constante crescimento.

O que há de desafios pela frente dentro da sua atividade profissional?

O maior desafio que eu tenho pela frente é de fazer uma transição de gerações com sucesso no Grupo Jereissati, para que mantenham os negócios. Alguns destes vieram do meu pai, outro que nós fizemos depois dele. Queremos que todas as iniciativas já concretizadas até hoje, depois de décadas, sejam bem sucedidos também com essa nova geração.

A nova geração é uma mescla. O nosso modelo de gestão é tanto de filhos qualificados, tanto por formação universitária quanto com o tino natural vindo dos Jereissati, como também da soma de profissionais executivos que estão conosco há muito tempo e mostram competência e recebem confiança para seguir conosco para futuras realizações.

O Iguatemi existe há mais de três décadas em Fortaleza. Para o senhor, qual a relevância do shopping center dentro da cultura e do cotidiano social do fortalezense?

Eu tenho o orgulho de ter feito parte do Iguatemi a partir da sua origem, da inauguração em 1982 até 1984. O shopping center foi um empreendimento inovador dentro da realidade cearense. Na história do Estado, podemos dizer que ele é o instrumento que transformou para sempre esse comércio de varejo. A partir da abertura do negócio, se multiplicaram vários outros espaços na Capital seguindo o mesmo modelo aplicado e desenvolvido pelo Iguatemi. O Iguatemi é parte essencial da vida da maioria das pessoas em que ele entrou vários anos atrás. É parte da cultura e do coração cearense, da mesma forma que ocorre nas cidades onde se tem outras unidades do shopping. O de São Paulo tem 60 anos e tem nele um grande centro de lembranças para os paulistanos. O Iguatemi de Porto Alegre é um dos orgulhos do porto alegrense, por ter proporcionados muitos momentos aos cidadãos da cidade gaúcha em aproximadamente 30 anos de existência.

A marca da família é muito forte no Ceará e em outros estados. Existe no senhor esse sentimento de orgulho de ter fortalecido as iniciativas dos Jereissati dentro das lembranças da sociedade?

Isso é algo que me orgulha e emociona até hoje. Sinto que fazemos parte da história de muitas pessoas através de cada empreendimento bem sucedido. Ontem mesmo, por exemplo, encontrei uma senhora e o filho no Iguatemi de São Paulo. O filho fez questão de me parar no meio do shopping e me parabenizar pelos anos de sucesso do local. Ele olhou para mim e falou: “Minha mãe tem uma estância em Londres e mora lá há muitos anos. Ela hoje está com 88 anos e, quando eu brinco com ela perguntando onde ela quer que guarde suas cinzas, a resposta surpreende. Ela diz que quer suas cinzas no Iguatemi, pois foi onde passou os melhores momentos da juventude dela”. Então eu não preciso dizer mais nada. É a melhor sensação. O nosso trabalho vale a pena.

O senhor recebeu homenagens em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. De que forma o senhor pode definir essa realização?

Eu imagino que tenha sido pelo trabalho que o Grupo Jereissati efetuou nestes estados ao longo de décadas. Nós temos 11 shoppings no estado de São Paulo, idem no Rio Grande do Sul. Em Minas Gerais implementamos muitos trabalhos nas Telecomunicações, na época com a Contax e a Oi. Imagino que seja por isso que recebi as condecorações, pelos relevantes serviços prestados por nossas empresas ao desenvolvimento da economia e à sociedade.

Sobre a Medalha da Abolição, qual é o seu sentimento ao ser agraciado com esta comenda?

É com muita satisfação e com muito orgulho que eu recebo essa importante homenagem do Governo do Ceará. Eu nasci na maternidade do Hospital Geral Dr. César Cals e estudei o primário no Colégio Christus, até eu me mudar paro Rio de Janeiro. E, apesar de ser cearense de nascimento e ter sempre nutrido forte contato com a terra, essa é a primeira homenagem que eu recebo do Ceará. Isso me traz muita gratidão e vou receber a Medalha da Abolição com muito orgulho. Nunca tinha tido essa oportunidade, embora tenhamos com o Grupo Jereissati sido o maior contribuinte do Estado nos últimos dez anos, bem longe do segundo lugar. Acho que é por aí. Trabalhamos muito pelos cearenses e temos orgulho de presenciar o crescimento do Ceará. Receber a homenagem nos faz realizados e nos coloca como parte de tudo isso.

Luiza de Teodoro Vieira

Luiza TeodoroA professora Luiza de Teodoro Vieira é autora de diversos livros, que foram usados para alfabetizar estudantes. Na rede estadual de ensino do Governo do Ceará, ela dá nome a uma Escola Estadual de Educação Profissional, em Pacatuba, construída originalmente como escola de ensino médio em 1986 e reformada em 2009.

O pai foi jornalista, dono do jornal independente “O Imparcial”, e também foi funcionário público da Secretaria da Polícia. A mãe, professora de uma escola municipal em Maracanaú, a quem acompanhava em diversas oportunidades. Depois, ela se transferiu para a Secretaria da Educação, onde trabalhou até se aposentar. Com o pai, pegou o gosto pela literatura. Mesmo quando aprendeu a ler, um dos principais passatempos da casa era ver o pai ler em voz alta para ele e a mãe.

Tem como referência de criação a avó paterna, oriunda do sertão e que nunca abandonou as raízes. Com ela, aprendeu a história do Ceará, histórias de boi, antigas canções de folclore, que cantava sentada na almofada de renda, batendo o bilro.

Quando foi para a escola, aos cinco anos, já sabia ler. Estudou até a 2ª série no Grupo Escolar José de Alencar e, depois, foi para a Escola Normal Cristiniano de Serpa, ambos colégios públicos. Sempre teve um histórico escolar exemplar.

Formou-se em História pela Universidade Católica, que já estava passando a ser Universidade Estadual do Ceará (Uece). É membro do Conselho de Avaliação do Programa Alfabetização Solidária e autora de livros como “Cartilha da Ana e do Zé” e “Um Certo Planeta Azul”.

Em 2011, recebeu da Câmara Municipal de Fortaleza o Troféu Paulo Petrola de Educação pelo trabalho exercido na área.

Qual a sensação de saber que milhares de crianças hoje são alfabetizadas graças à contribuição do seu trabalho?

Um sentimento de grande alegria, como também sentiria em saber de outros empreendimentos que permitam a adultos e crianças entender melhor sua terra, sua escola, sua vida.

Como foi para a senhora ter o seu nome dado a uma Escola Estadual de Educação Profissional em Pacatuba?

Foi uma agradável surpresa, pois isso significa um gesto de amor da parte de alguém que reconheceu que valeu a pena os meus esforços pela educação. Iniciativas como essa são um incentivo a que continuemos investindo nas pessoas.

O que as crianças do nosso Ceará mais precisam hoje para serem alfabetizadas e obterem uma educação de qualidade?

A existência de bons livros e de bons professores.

No último resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), entre as 100 melhores escolas públicas do país, 77 são do Ceará. Além disso, o índice de aprovação dos alunos das escolas públicas estaduais do Ceará no ensino superior cresceu 27% entre os anos de 2015 e 2016. Foram 12.737 estudantes com chance de ingressar no ensino superior. A que se deve esse avanço na rede de ensino estadual?

Deve-se aos esforços de nossos gestores em educação por conseguir escolas melhores, por elaborarem materiais pedagógicos melhores, pelo melhor treinamento e formação de nossos professores e por construir escolas que permitam a crianças, adolescentes e jovens sentirem o prazer no estudo.

Ser agraciada com a Medalha da Abolição é um reconhecimento por todo o trabalho voltado para a educação no Estado?

Existindo um prêmio é porque existe um mérito. Eu só posso entender que algo deva ter feito de meritório para receber essa comenda. Mas, ao mesmo tempo, quero parabenizar aos demais agraciados, pois certamente fizeram a diferença em suas áreas para que hoje possam alcançar esse reconhecimento.

O que o Ceará representa para você?

O Ceará é a terra que eu gostaria de ter e tenho. Eu não gostaria de viver em outro estado. Há, é claro, muito o que ainda acertar no âmbito da educação e da justiça social. Mas acredito que temos todas as ferramentas para termos uma vida melhor. Basta para isso que cada um não se omita quanto a sua responsabilidade de fazer o Ceará melhor.

25.03.2017

André Victor Rodrigues e Thiago Sampaio
Célula de Reportagem

Fotos de Carlos Francisco Ribeiro Jereissati e Luiza de Teodoro Vieira: Arquivo pessoal.

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