I Seminário Memória e Verdade debate lutas populares no Ceará

6 de outubro de 2017 # #

Ana Carolina Carvalho - Gabinete do Governador
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Estudantes universitários e de ensino médio tiveram contato com a memória viva das lutas populares que aconteceram no Estado entre os séculos XIX e XXI. No I Seminário Memória e Verdade, realizado nesta sexta-feira (6), esse público, além dos participantes do Grupo de Trabalho, ouviu experiências de personagens que participaram ativamente desses relatos históricos.

O advogado e anistiado político Inocêncio Uchôa atuou em favor dos trabalhadores, das organizações sindicais e na luta pela terra durante muitos anos. Para ele, essa oportunidade de falar sobre os conflitos é excelente pois garante que os jovens entendam sobre as violações de direito e se apropriem da memória do Ceará e do Brasil.

“É muito importante registrar os fatos, os acontecimentos, que marcaram a história do nosso povo. No Ceará, são acontecimentos de relevância social muito grande. Temos, como brasileiros, memória curta, damos pouco valor. Fiquei muito feliz por ter participado e poder contar um episódio, uma luta social, que foi extremamente importante, que envolveu toda uma comunidade, vários municípios. Um clássico no Ceará dos povos na luta na busca pela terra”, enfatizou.

Inocêncio palestrou sobre as lutas de terra na década de 80, dando destaque às lutas de terra na região de Parambu, divisa entre o Ceará e o Piauí.

Representando a sociedade civil no GT Memória e Verdade, via Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), Neila Menezes acredita que existe uma grande parcela da população para atingir com debates como esse.

“Ter um seminário como esse para a construção do plano estadual de educação em direitos humanos é importantíssimo. Hoje o tema foi trabalhadores rurais nas décadas de 70 e 80, e o Caldeirão de Santa Cruz do Deserto – comunidade de camponeses liderada pelo beato José Lourenço, no século 20. Existe muita história para se contar e se reviver, e estamos indo com passos firmes na conquista do nosso objetivo’, destacou.

Segundo Margarida Pinheiro, fundadora do Centro de Estudos do Trabalho e de Assessoria ao Trabalhador, trazer a experiência do sertão e da resistência do povo cearense a obrigou a pensar na trajetória já percorrida e nos próximos caminhos a trilhar.

“Acho muito interessante contribuir com essa memória. A juventude participou desse debate e muitas vezes essa mesma juventude não conhece a história, não estuda, não lê. Um momento como esse é importante para que eles pensem no que aconteceu para que não se repita. Devemos trabalhar na perspectiva de mudar o mundo. É isso que nós queremos”, finalizou.

Um novo encontro, com data prevista para o dia 20 de outubro, avaliará as propostas que irão compor o Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos – eixo memória e verdade.