Quixadá recebe Seminário de Educação em Direitos Humanos

30 de outubro de 2017 # # #

Ana Carolina Carvalho - Coordenadoria de Direitos Humanos

Buscando a formação de uma cultura de respeito à dignidade humana envolvendo sociedade civil, poder público e organizações não governamentais, teve início o I Seminário de Educação em Direitos Humanos em Quixadá. O grupo Alta Visão, formado por deficientes visuais, abriu o evento, que também tem por objetivo interiorizar a educação em direitos humanos e colher propostas para o Plano Estadual.

Durante os seminários, estão sendo trabalhados cinco eixos: educação básica, superior, popular, servidores públicos e memória e verdade. O diretor da Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central (FECLESC), Luiz Oswaldo Moreira, destacou que o debate é de fundamental importância para a construção de um mundo novo e diferente.

“A questão dos direitos humanos é uma questão imediata. Estamos embebidos de muitos preconceitos e a mudança tem que partir da gente. Às vezes, queremos combater a intolerância intolerantemente. Que este seja um momento de reflexão sobre isso, de buscar exterminar os preconceitos”, destaca.

Parceira na realização do seminário, a Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, representada pela advogada e secretaria da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, Patrícia Chaves, destacou a importância da divulgação e da promoção de eventos como esse. “Na Comissão, sempre buscamos apresentar requerimentos que envolvam esse tema. Buscamos a construção de novas políticas na garantia de direitos”, enfatiza.

Beatriz Xavier, presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos, palestrou sobre os desafios e perspectivas da educação em direitos humanos no Ceará. Para ela, esse é um processo conjunto de questionamentos e de construção de respostas.“Estamos aqui para buscar responder e questionar. Essa busca é muito importante (do diálogo), principalmente na cultura dos direitos humanos. Estamos em defesa desses direitos e nos deparamos diariamente com violações”, ressalta.

Ainda pela manhã, houve painel com cinco experiências exitosas em direitos humanos no Sertão Central. O coletivo feminista Severinas foi um dos participantes do painel. Surgido dentro da Universidade Estadual do Ceará/Feclesc e cujo nome faz referência às mulheres do sertão, o grupo pretende fortalecer e levar o feminismo onde ele ainda não consegue chegar.

Mayara Albuquerque, membro do coletivo, destacou que há uma luta por representatividade e por melhores condições de trabalho e de vida para as mulheres e jovens camponesas. “Pensamos em sair só desse universo da faculdade, pois todas nós somos estudantes, mas somos de vários municípios e acreditamos ser o único coletivo feminista do Sertão Central do Ceará. Somos movidas pelo fortalecimento do feminismo, promoção do diálogo sobre a autonomia das mulheres, empoderamento da mulher do sertão e combate ao machismo e qualquer discurso que viole os direitos humanos. Sonhamos alto: sair do âmbito universitário e buscar em cada uma das cidades do sertão central e agregar pessoas interessadas em aprender.”, concluiu.

Algumas propostas para o Plano Estadual de Direitos Humanos, tais como questões de gênero na escola na rede estadual e fomento financeiro, foram citadas. Além dessas, outras contribuições foram dadas para compor o plano estadual de educação e foram colhidas assinaturas no termo de adesão ao Comitê Estadual de Educação em Direitos Humanos

Ainda em Quixadá

Na terça-feira (31), acontece no auditório da Câmara de Vereadores a apresentação da Ouvidoria Especial dos Direitos Humanos para a rede de políticas públicas. Para o Coordenador Especial dos Direitos Humanos, Demitri Cruz, essa articulação é benéfica para se fazer conhecer pela rede. “A Ouvidoria ainda não foi lançada oficialmente, mas já está em funcionamento. Aproveitamos essa agenda para dialogar com a rede de politicas públicas, rede sistema de justiça, delegacias e rede de assistência social. A proposta é acompanhar as demandas de violações de direitos humanos no Ceará”, conclui.